Falta à mídia brasileira um senso de urgência” criticou o jornalista da Globo News, André Trigueiro, durante o simpósio nacional de jornalismo ambiental Imprensa Verde, realizado nos dias 18 e 19 de Novembro em Belo horizonte. André reclamou da posição do ministro José Carlos de Carvalho que disse que “Houve avanço porque não houve retrocesso”. O jornalista da Globo News defendeu uma imprensa ambiental subversiva, realmente denunciativa e propositiva. “É complicado viver em um planeta onde o modelo de produção é predatório e suicida”. É preciso, segundo André, reinventar o mundo e o jornalismo.
O jornalista da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, Roberto Villar, participando do mesmo evento, cobrou a criação e expansão de uma mídia ecológica, baseada na solidariedade e na participação, com uma visão holística e interpretativa, que forneça ao leitor uma visão ampla do meio ambiente enquanto espaço físico, da favela ao mangue. A maioria dos brasileiros liga assuntos ambientais somente a florestas e a mídia tem parte da culpa nisso. “O que a gente cobra das empresas a gente cobra da mídia, porque ela também é indústria, e até mais poluidora porque trabalha com a cultura”, defende Roberto.
“Existem dois tipos de jornalismo, aquele que pauta o que o público quer saber, e aquele que pauta o que o público não quer saber mas precisa”, explica o representante da ONG Terramérica, Adalberto Marcondes.
Desafios
Os principais desafios do jornalista ambiental apontados no simpósio foram: primeiro, driblar os jargões, o tecnicismo e o cientificismo que imperam na atual mídia ecológica brasileira. Segundo, é preciso combater a superficialidade que leva o jornalista ambiental a cobrir apenas eventos ou acidentes ecológicos, sem uma visão completa do meio ambiente e seus desdobramento em sua relação com o homem.
Em terceiro lugar é preciso formar o jornalista ambiental com o mesmo cuidado com que se tem formado o jornalista econômico. É necessário que o jornalista conheça o que está falando e tenha sensibilidade. “Os candidatos a presidente da república deram várias entrevistas, e as primeiras perguntas foram sempre sobre economia. A situação melhorará no dia em que um jornalista abrir uma entrevista com o presidente perguntando sobre como o desenvolvimento vai influir na política de combate ao desmatamento”, protesta André Trigueiro.
E por último, é preciso driblar o consumo perdulário, desenfreado e suicida. “O mundo não suportaria, se todos consumissem como os americanos consomem”, comenta o jornalista do Jornal do Meio Ambiente, Vilmar Berna. “São necessários limites, discursos para constranger o consumidor”, completa. Entretanto, Adalberto Marcondes ressalta que após os anos oitenta o principal patrocinador da mídia é o próprio consumo desenfreado, na figura da indústria.
Situação financeira
A mídia ambiental tem, portanto, que vencer seu paradigma e conseguir criticar o modelo que a patrocina. Mas o espaço para isso está cada vez mais reduzido. O editor do JB ecológico e ex-editor do EM Ecologia (caderno especializado do jornal Estado de Minas), Hiram Firmino, reclama que “os repórteres ambientais são obrigados a migrar para a mídia alternativa para poderem trabalhar”.
A imprensa ambiental chega num impasse que é o de ter que conquistar a grande mídia, que a hostiliza por suas posições frente aos patrocinadores. Resta ao jornalismo ambiental preparar de forma mais responsável seus repórteres e apostar na sensibilidade e na criatividade, necessárias para fazer a sociedade compreender a real dimensão da questão ambiental em nossos dias.
Fonte – Jornal do Meio Ambiente
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